<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995</id><updated>2009-10-13T05:04:26.950-03:00</updated><title type='text'>Calamidade Visceral</title><subtitle type='html'>rascunhos de uma escrita experimental</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-347139553749640105</id><published>2009-07-11T10:59:00.000-03:00</published><updated>2009-07-11T11:00:24.688-03:00</updated><title type='text'>João, o operário padrão</title><content type='html'>João chorava ao ver o Van Damme apanhando um pouco antes de vencer as lutas. Até se emocionava com finais de novela. Lia poesia, mas não era gay, não era. &lt;br /&gt;   Justificava dizendo que mulher adora essas coisas. A poesia certa faz qualquer paquita tremer e te dar gostosinho.&lt;br /&gt;  E depois do cigarro, quando declamava algo Camoniano rimando com a trepada, elas repetiam ainda mais amorosas. &lt;br /&gt;  As potrancas precisam de palavras doces e tapinhas de leve nas ancas. Só usou a palavra vadia quando uma delas suplicou-lhe ao pé do ouvido.&lt;br /&gt;  João era sensível!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-347139553749640105?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/347139553749640105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=347139553749640105&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/347139553749640105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/347139553749640105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2009/07/joao-o-operario-padrao.html' title='João, o operário padrão'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-408113442968406329</id><published>2009-04-02T10:55:00.001-03:00</published><updated>2009-07-11T10:58:56.614-03:00</updated><title type='text'>O preço</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/Sliaky9OhsI/AAAAAAAADGo/BWrs4cYyzDs/s1600-h/antigas_2004+257.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/Sliaky9OhsI/AAAAAAAADGo/BWrs4cYyzDs/s400/antigas_2004+257.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357201713701750466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Estava disposta a pagar o preço, saíra de casa com aquela intenção, de encontrar o que deixara para trás há tanto tempo. Levava os roteiros debaixo do braço e esperanças simples, como um pequeno martírio por buscar aquele que há mais de dez anos a abandonara, sem ao menos dizer adeus. Trazia nós apertados em sua garganta e tantas perguntas por fazer. E debaixo do braço o roteiro de vidas inteiras, num intento teatral. E os passos conduziam-na para o confronto final, quase latente em seus olhos.&lt;br /&gt;  Queria chorar como o fez há muito tempo, mas as suas lágrimas secaram, queria apenas fitá-lo e encarar como se fosse mesmo um trabalho, como se os escritos fossem maiores que as suas dores de abandono, como se cada ato teatral desembocasse apenas no aplauso final de uma platéia desconhecida.&lt;br /&gt;  Entrou em uma loja de conveniência, bombons? Não doces demais para o momento, talvez um mimo branco, um cachimbo, uma caixa de charutos, será que ainda fumava? &lt;br /&gt;  Comprou um vinho, talvez fosse um presente bom, para alguém tão requintado, ou talvez fosse demais para alguém tão simples, não o conhecia mais. Resolveu então deixá-lo guardado para outra ocasião especial.&lt;br /&gt;  No roteiro as palavras ditam sobrecarregadas a cobiça. Demonstram a insatisfação com uma revolta, enganam-se em meio de orgias verborrágicas, quase plásticas e inconstantes.&lt;br /&gt;  As palavras deleitam-se de seus olhares míopes, que não desejam a visão e vêem os dias esconderem-se no caos e nas falésias ocupadas, como as mesas de um café de esquina, que não disfarçam o vazio de tentações.&lt;br /&gt;  Na vida real uma porta se abre, depois de tanto tempo, ela o vê ali, de pé e tão receptivo, sorridente e lascivo. As mãos não dissimulam, querem os pecados vãos, choram as faltas. Querem queimar no corpo alheio, entre o tesão vigoroso e o movimento vagaroso.&lt;br /&gt;  A fome das mãos trazem a revolução das carnes, das peles, dos olhos revirados em rotação obtusa, e confusa. Estavam secos de si, sedentos um pelo outro e vertiam-se em fluidos corpóreos, palavras sem nexo ou léxico. Apenas o gozo, silencioso e gentil.&lt;br /&gt;  Tentaram no fim um sorriso prazeroso, se esconderam entre braços e pernas e se encaravam pelo canto dos olhos, extasiados escondiam um riso, quase em um choro contido das perguntas não feitas e respostas não encontradas.&lt;br /&gt;  Num jogo de fuga e esconderijos secretos, eles estavam entregues, sabiam mais de si do que do outro e talvez fosse só isso que os interessasse, mas continuaram se observando até que arrancam-se os olhos, num frenesi dialético.&lt;br /&gt; Não olhariam mais para trás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-408113442968406329?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/408113442968406329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=408113442968406329&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/408113442968406329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/408113442968406329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2009/04/o-preco.html' title='O preço'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/Sliaky9OhsI/AAAAAAAADGo/BWrs4cYyzDs/s72-c/antigas_2004+257.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-5668809189723173833</id><published>2009-01-11T10:54:00.000-02:00</published><updated>2009-07-11T10:55:15.288-03:00</updated><title type='text'>O poeta</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliZp2C_CdI/AAAAAAAADGY/9G2CcJ9VDVo/s1600-h/2474906985_d980372cb3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliZp2C_CdI/AAAAAAAADGY/9G2CcJ9VDVo/s400/2474906985_d980372cb3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357200700918925778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;  Em cidades do interior quando morre alguém as famílias pagam um carro de som para comunicar o acontecido e assim foi mais uma vez, como tantas outras vezes naquele dia. O carro mais uma vez foi contratado para rodar a cidade inteira e de novo, e quantas vezes forem necessárias para que ficasse bem claro que algum fulano tinha passado dessa. E por incontáveis vezes o carro rodeou a pequena praça, e devagar as pessoas iam se aglutinando para trocar a indignação, para mexericar sobre a viúva, sobre os filhos, netos, uma casa que poderia ter ficado de herança, algumas dívidas sanadas pelo óbito.&lt;br /&gt;  Ao ligar o rádio aconteceu o inesperado, algo que jamais tinha acontecido, ouvia-se o nome completo do falecido e informavam ainda a hora e o local do velório e do enterro, por certo era político, ou algum filho da burguesia, que não poupava nem o defunto para fazer pose de aristocracia, para anunciarem no rádio, era um absurdo o valor de uma pequena chamada entre os maiores sucessos do momento. Mas a voz do locutor parecia embargada, soluçada, chorosa e sem querer citou o morto como um poeta, rimador, cancioneiro, trovador, que além de tudo era amigo, companheiro de umbigo, de boteco e fadiga. E que para quem o conhecesse que não usasse a velha desculpa de que não ficou sabendo, pois até no inferno haveriam de saber que o poeta morreu.&lt;br /&gt;  E ao ouvir aquilo tudo meu coração estremeceu, não havia lido um verso seu, e constatei por fim que o poeta é ser como os outros, se curva, se dobra perante a morte, embora muitos digam que não. Fiquei um tempo com esse pensamento, sentindo-me um poeta morto, que deixou para trás seus versos mal amados, mal lidos, maltratados, seus versos tortos de lamento, indignação e de morte, enquanto ela o levava. &lt;br /&gt;  Dizem também que poetas estão à frente de seu tempo, que são seres incompreendidos, que só fazem sucesso depois de uma ou duas gerações, mas esse poeta não esperou, apenas foi como tantos Vinícius, Tons, Jorges, mas deixou-nos sua obra.&lt;br /&gt;  Concordarei enfim com os que dizem que os poetas não morrem, eles são eternos em sua obra, vai meu amigo e seja lido!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-5668809189723173833?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/5668809189723173833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=5668809189723173833&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/5668809189723173833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/5668809189723173833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2009/01/o-poeta.html' title='O poeta'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliZp2C_CdI/AAAAAAAADGY/9G2CcJ9VDVo/s72-c/2474906985_d980372cb3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-6843056049647074404</id><published>2008-12-25T10:51:00.001-02:00</published><updated>2009-07-11T10:53:41.367-03:00</updated><title type='text'>Ironia Natalina</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliZHz3l8PI/AAAAAAAADGQ/ehowzfJPkrM/s1600-h/179316370_ca9b7555bb.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 370px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliZHz3l8PI/AAAAAAAADGQ/ehowzfJPkrM/s400/179316370_ca9b7555bb.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357200116218720498" /&gt;&lt;/a&gt;   &lt;br /&gt;  Era manhã de Natal, mas a realidade seria a mesma em qualquer outro dia.&lt;br /&gt;  Depois de muito caminhar encontrou o açude de onde tirava água desde que se entendia por gente. Nunca a seca castigara tanto seu sertão, jamais deparou-se com aquela visão medonha, um misto de barro e lama seca. Mas não só o açude, não só o sertão, sua alma estava seca, quebradiça como a galhagem da caatinga, como o leito rachado da margem.&lt;br /&gt;  A comida estava no fim e não sabia por quanto tempo a sopa de palmas aplacaria a fome de sua prole. E ali, enterrada até a cintura no buraco lamacento, perguntava-se como iria voltar. Já não tinha forças para se levantar, percorrer o caminho de volta, seria a via sacra, seria sua penitência involuntária, imposta por sua árida realidade.&lt;br /&gt;  O que dizer aos filhos, não poderia olhar em seus olhos esbugalhados de fome e sede, pele sobre osso e dizer que a água acabou.&lt;br /&gt;  Cada passo uma pontada no peito, mais o ritmo de sua respiração aumentava. Até que por um momento parou. Quis sair correndo, pedir para os santos, para Nossa Senhora, que fizesse chover, que mandasse suas lágrimas para aplacar a sede de seus filhos, pois ela sabia da dor, ela a entendia, viu seu filho morrer no sofrimento e  foi forte, não abandonou Jesus em sua hora difícil e relutante continuou a caminhada. &lt;br /&gt;  Quando entrou, um dos filhos sentado aos pés do fogão de lenha, dizia baixinho:&lt;br /&gt;  “ _ Santos e Nossa Senhora no sertão são surtos!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-6843056049647074404?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/6843056049647074404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=6843056049647074404&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/6843056049647074404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/6843056049647074404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2008/12/ironia-natalina.html' title='Ironia Natalina'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliZHz3l8PI/AAAAAAAADGQ/ehowzfJPkrM/s72-c/179316370_ca9b7555bb.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-5035743727119921220</id><published>2008-03-11T10:40:00.001-03:00</published><updated>2009-07-11T10:44:30.188-03:00</updated><title type='text'>Cidade baixa</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliXNt-6ikI/AAAAAAAADF4/WgDAzqf_VoU/s1600-h/antigas_2004+272.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 264px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliXNt-6ikI/AAAAAAAADF4/WgDAzqf_VoU/s400/antigas_2004+272.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357198018694777410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Contam-me meus ancestrais, deuses do fogo e demônios da água, que em um encantamento debocharão por eternidade do que foi dito, lido ou escrito.&lt;br /&gt;  E as concubinas dançam valsas de anos atrás, com os velhotes que passam o dia jogando gamão e as noites passando a mão em nádegas alheias. Elas não esperam grandes fortunas, nem glória, apenas a aposentadoria deles, no fim do mês.&lt;br /&gt;  Perdem-se na vida que não tocam para não ferí-la, para não estripá-la.&lt;br /&gt;  Eu já desisti  das crendices e dos misticismos das pessoas fora de meu tempo, dos meus antepassados e até de mim estou farta.&lt;br /&gt;  Por vezes me pergunto, quando é que as putas da cidade baixa desistirão?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-5035743727119921220?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/5035743727119921220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=5035743727119921220&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/5035743727119921220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/5035743727119921220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2008/03/cidade-baixa.html' title='Cidade baixa'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliXNt-6ikI/AAAAAAAADF4/WgDAzqf_VoU/s72-c/antigas_2004+272.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-5886056371413833682</id><published>2008-01-11T10:48:00.000-02:00</published><updated>2009-07-11T10:50:57.023-03:00</updated><title type='text'>Vidinha medíocre</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliYm99F5eI/AAAAAAAADGI/XXl5Wqe50Ko/s1600-h/antigas_2004+241.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 317px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliYm99F5eI/AAAAAAAADGI/XXl5Wqe50Ko/s400/antigas_2004+241.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357199551990457826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque tento me convencer que a vida é boa? e todos os dias pela manhã, fazem o mesmo, acordam-me com uma propaganda refrescante de creme dental, outra crocante de margarina e ainda por cima a risadinha plastificada de ana maria braga e um louro de espuma.&lt;br /&gt;isso lá é vida? ser um como tantos. uma dona de casa que não copia receitas de bolo e sim faz pesquisa na internet sobre venenos, drogas ilícitas e viagens aéreas.&lt;br /&gt;que espécie de gente sou?&lt;br /&gt;ou será que todos são assim e tentam se adaptar?&lt;br /&gt;um amigo disse hoje, que os viadutos o chamam, prometendo aliviar suas dores, mas eu não acredito nem em bula de remédio, acho que todos prometem apenas o que não podem cumprir.outro amigo me disse que alçar vôo do galeão era lindo e assustador, um pedaço de terra curto, percorrido em segundos pela aeronave e depois um mar a perder de vista, com o cristo redentor ficando para trás.&lt;br /&gt;dizer o que, se já sabia da sensação. mas pior que isso são os tumbeiros internos, que batucam o coração entregue. &lt;br /&gt;"aqui não, aqui não, aqui não bate um coração!"&lt;br /&gt;o certo seria avisar das decepções, que a gravata de bolso não seria usada, nem mesmo a porta de emergência.&lt;br /&gt;quando soubesse que os pés tocaram aquele chão o caos interno instalar-se-ia, não por aquele sentimento passageiro, mas pelas negativas de si, acumuladas e guardadas por tantos anos.&lt;br /&gt;o copo d'água poderia fazer falta, para afogar aquelas mágoas secas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-5886056371413833682?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/5886056371413833682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=5886056371413833682&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/5886056371413833682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/5886056371413833682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2008/01/vidinha-mediocre.html' title='Vidinha medíocre'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SliYm99F5eI/AAAAAAAADGI/XXl5Wqe50Ko/s72-c/antigas_2004+241.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-254686488845008326</id><published>2007-11-04T12:32:00.000-02:00</published><updated>2007-11-04T12:35:53.606-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/Ry3YVZqPfUI/AAAAAAAAARU/wGeTfyDarDE/s1600-h/boneca.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5128993412821777730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/Ry3YVZqPfUI/AAAAAAAAARU/wGeTfyDarDE/s400/boneca.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Noiva &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recordo me de sua feição aflita e feliz, era o centro de todas as atenções, os olhos se voltavam para seu vestido, finamente bordado, e para o seu compasso de caminhar lento. Parecia que a felicidade era geral, mas comigo era diferente, eu não era o noivo, e estava com alguém que não escolhi para mim. Cada um, como em um teatro representava bem seu papel, a mãe da noiva chorava, o pai esbravejava com o noivo e o ameaçava.&lt;br /&gt;As madrinhas usando muita maquiagem nas faces, os padrinhos todos parecendo pingüins em dia de festa, o padre enfiado em sua batina franciscana, e os menores correndo e gritando em volta da cena. E a música parava, para que pudesse ser feita a cerimônia. E meus olhos não saiam dela, não que minha acompanhante fosse menos bela, ou tivesse menos elegante, muito pelo contrário, era aceitável, mas meu coração já tinha dona, e eu não era o noivo.&lt;br /&gt;Revoltava-me a idéia de não ser o noivo, mas a noiva não parecia aborrecida, esboçava até uma certa satisfação. O que ele tinha que me faltava era apenas o antebraço dela, sua mão, seus dedos finos, seu toque, podia até imaginar o cheiro dela, e só de pensar os pelos se eriçavam todos.&lt;br /&gt;A música volta a tocar: “Mas Pedro fugiu com a noiva/ na hora de ir pro altar/ a fogueira está queimando/ o balão está subindo/ João consolava Antônio/ que caiu na bebedeira”.&lt;br /&gt;Bem que poderia ter sido escolhido para ser o noivo, mas todo ano era assim, nunca conseguia o par que desejava, e ficava sempre com outra que teimavam escolher por mim, uma vez com uma menina que quebrou o braço uma semana antes, outra vez com a minha irmã, outra vez com a Verinha, e cá entre nós dançar com ela era o vexame maior que poderia passar.&lt;br /&gt;Bem que poderia ser o noivo, e quem sabe tomasse um beijo dela, e talvez me esqueceria que um dia quis muito ser o noivo e escolheram para mim outro par.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2007. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-254686488845008326?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/254686488845008326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=254686488845008326&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/254686488845008326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/254686488845008326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2007/11/noiva-recordo-me-de-sua-feio-aflita-e.html' title=''/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/Ry3YVZqPfUI/AAAAAAAAARU/wGeTfyDarDE/s72-c/boneca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-367645122663213168</id><published>2007-07-11T11:00:00.000-03:00</published><updated>2009-07-11T11:02:16.247-03:00</updated><title type='text'>Sobre Narciso</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SlibM1uyJ_I/AAAAAAAADGw/sR6Bxh-NfCM/s1600-h/antigas_2004+261.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SlibM1uyJ_I/AAAAAAAADGw/sR6Bxh-NfCM/s400/antigas_2004+261.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357202401641244658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;  Como tantas e tantas vezes, essa idéia já havia me tocado a alma, percorrido a espinha, com a sensação de fim. Mas era mais uma, entre outras inúmeras vezes, que eu assumiria estar no fundo do poço.&lt;br /&gt;   Talvez tivesse acabado, já não o esperava como antes. Aquela ansiedade de outrora desaparecera, assim como a paixão efervescente das taças de champanhe que dividimos há muito tempo atrás. &lt;br /&gt;  Ao chegar, corou-me com um beijo frio, como fizera por todos aqueles anos. E eu convencida que acabaria ali mesmo, que debulharia todo o rosário de infelicidades, jogaria meia dúzia de palavras causticas e derreteria aquele ar de superioridade em dois tempos, mas me calei, rotineira.&lt;br /&gt;  Sentou-se a espera do jantar. Eu nem me mexi.&lt;br /&gt;  Ficamos horas a nos fulminar com olhares tortos, quase sem reação e nenhuma palavra.&lt;br /&gt;  Otávio, provavelmente nem se dera conta que fiz de tudo para mantê-lo ao meu lado. Fiz dele meu par, meu espelho vivo, meu cúmplice perfeito e agora estávamos estagnados àquela mesa de jantar.&lt;br /&gt;  Valsamos como se eu fosse o cavalheiro da dança e ele, a mais bela donzela, rodopiou em torno de mim incontáveis vezes, aliás tantas quantas eu pude suportar, mas eu nem me dei conta que eu rodopiava em torno dele também e que seus passos eram mais vorazes que os meus. &lt;br /&gt;  E para dançar só, dei a ele a liberdade de ter qualquer par e no maior salão que se possa imaginar, ele valsou com todas. Encantou cada uma delas com seus olhos fulminantes.  &lt;br /&gt;  Confesso que divertia-me com a sensação de saber que ele voltaria para mim, como sempre voltou. Mas num certo momento, cansei-me, nos cansamos do nosso jogo.&lt;br /&gt;  Não acredito em amor, apenas nos refletíamos um no outro, pobre e nós, tão encantados com nossas imagens, que nem nos percebemos a distância que nos abatia, a cada rodopio, a cada gesto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-367645122663213168?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/367645122663213168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=367645122663213168&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/367645122663213168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/367645122663213168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2007/07/sobre-narciso.html' title='Sobre Narciso'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/SlibM1uyJ_I/AAAAAAAADGw/sR6Bxh-NfCM/s72-c/antigas_2004+261.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-6287219602535661876</id><published>2007-05-30T09:32:00.001-03:00</published><updated>2007-06-04T12:22:48.339-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Larissa Marques'/><title type='text'>O preço</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/Rl1v2WsoG5I/AAAAAAAAALQ/UkdS4-9Olcg/s1600-h/paint_by_bridgitte.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5070331735085423506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/Rl1v2WsoG5I/AAAAAAAAALQ/UkdS4-9Olcg/s400/paint_by_bridgitte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Foto de Bridgitte)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Estava disposta a pagar o preço, saíra de casa com aquela intenção, de encontrar o que deixara para trás há tanto tempo. Levava os roteiros debaixo do braço e esperanças simples, como um pequeno martírio por buscar aquele que há mais de dez anos a abandonara, sem ao menos dizer adeus. Trazia nós apertados em sua garganta e tantas perguntas por fazer. E debaixo do braço o roteiro de vidas inteiras, num intento teatral. E os passos conduziam-na para o confronto final, quase latente em seus olhos.&lt;br /&gt;Queria chorar como o fez há muito tempo, mas as suas lágrimas secaram, queria apenas fitá-lo e encarar como se fosse mesmo um trabalho, como se os escritos fossem maiores que as suas dores de abandono, como se cada ato teatral desembocasse apenas no aplauso final de uma platéia desconhecida.&lt;br /&gt;Entrou em uma loja de conveniência, bombons? Não doces demais para o momento, talvez um mimo branco, um cachimbo, uma caixa de charutos, será que ainda fumava?&lt;br /&gt;Comprou um vinho, talvez fosse um presente bom, para alguém tão requintado, ou talvez fosse demais para alguém tão simples, não o conhecia mais. Resolveu então deixá-lo guardado para outra ocasião especial.&lt;br /&gt;No roteiro as palavras ditam sobrecarregadas a cobiça. Demonstram a insatisfação com uma revolta, enganam-se em meio de orgias verborrágicas, quase plásticas e inconstantes.&lt;br /&gt;As palavras deleitam-se de seus olhares míopes, que não desejam a visão e vêem os dias esconderem-se no caos e nas falésias ocupadas, como as mesas de um café de esquina, que não disfarçam o vazio de tentações.&lt;br /&gt;Na vida real uma porta se abre, depois de tanto tempo, ela o vê ali, de pé e tão receptivo, sorridente e lascivo. As mãos não dissimulam, querem os pecados vãos, choram as faltas. Querem queimar no corpo alheio, entre o tesão vigoroso e o movimento vagaroso.&lt;br /&gt;A fome das mãos trazem a revolução das carnes, das peles, dos olhos revirados em rotação obtusa, e confusa. Estavam secos de si, sedentos um pelo outro e vertiam-se em fluidos corpóreos, palavras sem nexo ou léxico. Apenas o gozo, silencioso e gentil.&lt;br /&gt;Tentaram no fim um sorriso prazeroso, se esconderam entre braços e pernas e se encaravam pelo canto dos olhos, extasiados escondiam um riso, quase em um choro contido das perguntas não feitas e respostas não encontradas.&lt;br /&gt;Num jogo de fuga e esconderijos secretos, eles estavam entregues, sabiam mais de si do que do outro e talvez fosse só isso que os interessasse, mas continuaram se observando até que arrancam-se os olhos, num frenesi dialético.&lt;br /&gt;Não olhariam mais para trás.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2007. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-6287219602535661876?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/6287219602535661876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=6287219602535661876&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/6287219602535661876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/6287219602535661876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2007/05/o-preo.html' title='O preço'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/Rl1v2WsoG5I/AAAAAAAAALQ/UkdS4-9Olcg/s72-c/paint_by_bridgitte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-2864037946919585223</id><published>2007-04-19T08:16:00.000-03:00</published><updated>2007-06-04T12:23:01.853-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Larissa Marques'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/RidRKwCL_PI/AAAAAAAAAEo/SOorPSn0RNY/s1600-h/ventre.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5055098351881288946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/RidRKwCL_PI/AAAAAAAAAEo/SOorPSn0RNY/s400/ventre.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Luta&lt;br /&gt;Já não o queria como antes, desejava agora estar com outro, bem longe dali. Mas já não tinha forças para lutar contra os contratos sociais, contra as regras de conduta. Nem contra suas carnes. Seus sentimentos eram outros, mas ainda não tinha convencido sua pele, suas entranhas, do contrário.&lt;br /&gt;Observava-o dormindo, ohava por horas a fio e depois o despertava, para tomar o melhor dele. Mas na hora do estar, estava com outro ali, naquele lugar.&lt;br /&gt;Pensava em Pedro, sim Pedro era seu amor mais profundo, Pedro a amava todas as noites, possuía sua alma e seus pensamentos, seu gozo.&lt;br /&gt;Mas quando abria os olhos era Víctor que estava lá, segurando-a de olhos virados, por certo pensava em outra também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2007. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-2864037946919585223?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/2864037946919585223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=2864037946919585223&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/2864037946919585223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/2864037946919585223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2007/04/luta-j-no-o-queria-como-antes-desejava.html' title=''/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/RidRKwCL_PI/AAAAAAAAAEo/SOorPSn0RNY/s72-c/ventre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-8354618635642203687</id><published>2007-04-10T14:52:00.000-03:00</published><updated>2007-06-04T12:23:17.844-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Larissa Marques'/><title type='text'>Alguns textos que amigos fizeram em minha homenagem:</title><content type='html'>Larissa...&lt;br /&gt;E por abrir os olhos nessa manhã&lt;br /&gt;...despertei na lentidão de passos&lt;br /&gt;que pareciam ser os meus&lt;br /&gt;Eram de outros,&lt;br /&gt;mas traziam os meus sabores&lt;br /&gt;...galgavam degraus&lt;br /&gt;soluçavam precipitações&lt;br /&gt;e esperavam para espiar horizontes&lt;br /&gt;Despertou cedo - diante da aurora&lt;br /&gt;roubou minha atenção&lt;br /&gt;Seqüestrou meu sorriso&lt;br /&gt;Aflita! Me vi diante do espelho&lt;br /&gt;Fruto de um desejo&lt;br /&gt;Nem versos _ nem poemas&lt;br /&gt;Segredos do peito&lt;br /&gt;...que não grita&lt;br /&gt;Geme _ em silencio&lt;br /&gt;E no meio da noite:&lt;br /&gt;sussurra!&lt;br /&gt;O que diz? Não te conto&lt;br /&gt;pois se o faço!&lt;br /&gt;Vence-me o desejo&lt;br /&gt;E nos teus braços me largo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lunna Guedes...Abraços em dias de lentas composições!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DA FIDELIDADE&lt;br /&gt;(conto de Antônio Alves)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Larissa Marques&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao notá-lo inconsciente percebi que era meu inimigo. Este é o momento ideal para alguém tramar algo, de olhos fechados, sobre a cama, de bruços. Retiro o lençol de meu corpo meio zonza, colocando as mãos na cabeça na esperança inútil da dor súbita passar; por um milagre a dor passa e levanto-me sem sobressaltos acendendo o abajur que um outro me dera no Natal em troca dos bons serviços. A luz avermelhada ofusca os olhos como num flash estranho. De imediato a apago na preferência feliz das trevas de minha caverna; acendo novamente e o incômodo vai embora no limiar da noite escura, como num estalo da divina providência. Está lá, de bruços, no ardor de um fingimento, arquitetando meios de me destruir, montando quebra-cabeças, estratagemas sombrios.&lt;br /&gt;Caminho disfarçando-lhe importância, de um lado para o outro, depois até à janela. Admiro a Lua, sempre lá, em órbita. Penso no anti-romantismo de quem veio a esta espelunca e dorme pesado, articulando planos, depois de sugar minha alma em movimentos compassados e torpes; certamente não contemplou uma lua boiando no céu iluminando os corações ternos dos jovens e dos poetas. Na cidade veloz os automóveis flutuam alucinados cheios de motoristas desenluados levando mulheres de minissaia e maquiagem forte para lugares escuros e baldios.&lt;br /&gt;Penso em Carlos, num ímpeto, a fazer versos de rimas previsíveis mas que de certa forma me acariciava o coração, talvez eu quisesse mais que carícias, talvez eu quisesse ser mesmo destruída, trespassada. Às vezes na solidão sinto saudade dele, de sua mão branca e sem pelos a tocar meu rosto como quem nada quer. Eu queria o que Carlos não podia dar. Ainda tenho a caixinha de sonetos guardada a sete chaves e de quando em vez algumas lágrimas caem depois de uma relida enfática. Que destino cruel teve Carlos. Aquele agosto jamais será esquecido.&lt;br /&gt;Parece que o homem deitado quer acabar com a mentira e abrir os olhos de vez. Não, está quieto, ainda de bruços, pálpebras fechadas. Desejaria que ele declamasse algo de Byron, mas o seu braço forte e encardido de operário e falhas em sete dentes eram indícios de sua ignorância para com o lorde. Ah, Byron seria perfeito demais! Seria um Carlos operário, e Carlos era tão-somente Carlos, um funcionário de repartição pública, sem mais. Lembro-me do seu choro quando parti. As cartas com versos apaixonados que recebi depois pareciam mais esfuziantes e os poemas mais organizados, era como se ele tivesse adaptado a felicidade dele à minha distância e isso, de certa forma, não nego, me fazia mal, pois eu era um joguete na sua escrita romântica e ardilosa. Quem sabe eu fosse a musa inatingível. Decidi encontrá-lo, já era tarde. Aparecera morto, com uma bala alojada no crânio. Carlos só me ofertava amor e lua e nada mais.&lt;br /&gt;Teve um dia em que fomos quase felizes, quando saímos correndo pela colina como bobos e deitamos com a face para o céu até o cair da noite, contando as estrelas, sem tocar palavra. E depois até o amanhecer. Abraçamo-nos por um bom tempo, nos beijamos enamorados e nos conhecemos pela primeira e única vez. Carlos sabia escrever o amor, não consumá-lo. E assim ficamos até o dia da escolha.&lt;br /&gt;A noite está vazia, sem estrelas. Da janela do oitavo andar no centro da cidade a vidraça me protege. Deito-me na cama escorando a cabeça no cotovelo direito e deixo deslizar a mão esquerda sobre o corpo do inimigo. Cabelos, dorso, nádegas, panturrilha e pé. Eis uma combinação de luxúria se não fosse minha conduta sacrossanta. Fecho os olhos e penso em Carlos e na sua voz de veludo. Sussurro nos ouvidos do outro “eu te amo, Carlos”. Por sua vez, o homem se revira sobressaltado e me diz nomes feios, impronunciáveis. Toca-me como objeto, traslada meu corpo e me ama a seu modo.&lt;br /&gt;Depois de feito, o homem se veste resmungando alguma coisa vil e bate no meu rosto com pequena força, sorri, deixa um trocado no criado-mudo e sai vencedor da grande guerra, mal sabendo da traição que sofrera, pois Carlos está sempre aqui, dentro de mim, suspirando poesia a cada punhalada do inimigo, possuindo-me verso a verso, rima a rima, numa métrica perfeita, sonetamente.&lt;br /&gt;Um outro entra pela porta e sei que vou amar Carlos mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosa sem nome para a poetisa morta. O vento, agora como Arias improvisadas, sopra o rosto milenar da pedra da gávea. Todo alvergue nesses dias amarelos de fome, sonhos mortos e goles de liquido bacante, condena o naif por sua discrepância diante das coisas. Meu pobre quarto, tão pobre como a massarda de Balzac com 23 anos, não desconfia que me ponho rende a janela esperando aquela promessa feita por uma louca poesia que diz assim: “Sou como o ar que há no mundo, o vento leva-me para onde quer”. Probo, só e bêbado dela, espero que o vento traga até minha massarda essa mulher que crava suas unhas, suas palavras e seu mundo bem aqui onde o sangue pulsa, onde a mão quer a matéria para escrever. O peito corre como correnteza bravia!Para onde vai peito? Qual o cheiro dessa dama e já dona de mim? Qual a temperatura de seu corpo a quantas loucas passadas bate o coração dessa que virá como o vento? Em um paraíso artificial que projeto com fogo e papel e ela ri, riso de afogar homens em mares laríssicos, mar ou cama! Se for cama qual melodia posso arrancar-te seu corpo? Como é morrer de sede ao percorrer o deserto de seu corpo e descobri os oásis que há em tua boca? Quantas vezes mais o sol vai nascer como nascera essa mulher? Nunca pode uma mesma e bela coisa nascer novamente! Pode? Finda-ser-a as diletas conversas que deitamos sobre papel ou desejos? Brinco teu jogo aristocrático e despótico onde sou escravo, sendo rei. Visto em ti a fantasia de rainha para despí-la em segredo e fazer-te minha escrava senhora de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Vate Caetano, Rio de Janeiro ou deus castanho 6 de abril de 2007.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-8354618635642203687?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/8354618635642203687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=8354618635642203687&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/8354618635642203687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/8354618635642203687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2007/04/alguns-textos-que-amigos-fizeram-em.html' title='Alguns textos que amigos fizeram em minha homenagem:'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-6103838982709510487</id><published>2007-04-09T11:42:00.000-03:00</published><updated>2007-06-04T12:23:31.477-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Larissa Marques'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/RhpRrqRHL5I/AAAAAAAAADI/iYXzCbjr2_Q/s1600-h/flor_negra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5051439742571720594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/RhpRrqRHL5I/AAAAAAAAADI/iYXzCbjr2_Q/s400/flor_negra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Luxúria&lt;br /&gt;O dia não tinha brotado no horizonte, mas o ar estava fresco, todos dormiam. Sentia-se livre, solta das arestas rústicas que a prendiam nas buscas diurnas monumentais. Sentia-se calada, pois sua voz estava presa em seu ventre, em seu sexo. Não queria acordar ninguém, mas foi tomada por um pensamento gentil. Uma saudade do que se esqueceu de acontecer.&lt;br /&gt;Pousou sua mão quente sobre seu sexo frio, suspirou e encaixou a mandíbula. Lembrou-se de como tivera sede por si mesma e por um momento pensou em outras mãos ali.&lt;br /&gt;Fechou os olhos e forçou seus quadris contra as mãos, tinha desejos ocultos e pensamentos leves e despretensiosos.&lt;br /&gt;Era um devaneio incontido, que empedrou-se em pensamento quase real, as mãos buscavam seu sexo e o sexo retribuía a busca constante e prazerosa.&lt;br /&gt;Tão silenciosa e pudica que por um momento se entregara à ilusão da luxúria, de possuir-se a si mesma, num estágio pleno de si.&lt;br /&gt;Tocou-se fundo, o mais fundo que pôde alcançar e num delírio pleno de sentir-se vibrar, gozou uma, duas, incontáveis vezes consigo. Com ela não precisava falar, não precisava suspirar em demonstração de satisfação, o gozo se bastava.&lt;br /&gt;E quando se satisfez de si, quis beijar-se, mas pousou sua mão fria, sobre seu sexo quente e adormeceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2007. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-6103838982709510487?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/6103838982709510487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=6103838982709510487&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/6103838982709510487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/6103838982709510487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2007/04/luxria-o-dia-no-tinha-brotado-no.html' title=''/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_leHQUyhfQ_w/RhpRrqRHL5I/AAAAAAAAADI/iYXzCbjr2_Q/s72-c/flor_negra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-116809252872153249</id><published>2007-01-06T12:04:00.000-02:00</published><updated>2007-06-04T12:23:42.975-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Larissa Marques'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6805/2235/1600/716551/nua2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6805/2235/400/455645/nua2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensinamentos de borboleta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um jardim, do qual me orgulho. Adoro cuidar de minhas flores e minhas plantas. Surpreendo-me com as peças que a natureza nos prega, hoje mesmo ao me abaixar para pegar algumas folhas secas, percebi que uma delas se mexia, fiquei olhando por um tempo, pensando tratar-se de uma formiga. Mas logo parou e não contive o impulso de levantar a folha, ao tocá-la voou, isso mesmo, era uma borboleta camuflada, era exatamente como uma.&lt;br /&gt;Fiquei observando para vê-la pousar e apreciar as semelhanças e perguntando-me porque uma borboleta, que poderia ser linda, colorida, mostrava-se como uma folha seca, entre tantas outras, tentava se misturar, fantasiando ser o que não é, em sua essência.&lt;br /&gt;Seria humilde por não se mostrar, ou dissimulada por se camuflar?&lt;br /&gt;Poderia traçar uma linha tênue entre essa borboleta e eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.Convido você leitor, para que visite meu blog:&lt;a href="http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/"&gt;http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-116809252872153249?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/116809252872153249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=116809252872153249&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116809252872153249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116809252872153249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2007/01/ensinamentos-de-borboleta-tenho-um.html' title=''/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-116654616797985167</id><published>2006-12-19T14:27:00.000-02:00</published><updated>2007-06-04T12:23:56.872-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Larissa Marques'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6805/2235/1600/825786/chuveiro1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6805/2235/400/172008/chuveiro1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje vejo que escrevi muitas cartas para que me lesse, para entendesse cada vírgula, cada reticência, toda a interrogação. Desenhei céus azuis pintados em aquarelas para te presentear e fiz doces poemas de clamor para acreditar.&lt;br /&gt;Leu-me sem segredo, mostrei-me sem medo, mas percebo que quanto mais dizia de mim, mais eu queria saber para poder te contar e me perdi em meus pontos finais e em meus silêncios de ignorância.&lt;br /&gt;Como um livro folheado, encardido, amarelado, fui deixada de lado para que conhecesse outros mundos.&lt;br /&gt;Minhas cartas existencialistas tomaram o vento em busca do esquecimento pálido e profundo e findaram-se numa gaveta qualquer.&lt;br /&gt;Conheceu os infinitos horizontes, enquanto eu tinha a escuridão e o abandono. Mas já entendo que não importa como termine, nem com quem está agora. Seremos sempre eu e você. Sem rodeios, sem meias palavras, sem solto nó, sem notas desafinadas.&lt;br /&gt;Minhas palavras antigas já não têm tanta força, nem o mesmo entusiasmo de outrora, mas também não me afetam mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.Convido você leitor, para que visite meu blog:&lt;a href="http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/"&gt;http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-116654616797985167?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/116654616797985167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=116654616797985167&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116654616797985167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116654616797985167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/12/hoje-vejo-que-escrevi-muitas-cartas.html' title=''/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-116480889936751044</id><published>2006-11-29T11:57:00.000-02:00</published><updated>2007-06-04T12:24:15.007-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Larissa Marques'/><title type='text'>Uma pequena fábula de amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6805/2235/1600/840163/face.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6805/2235/400/178655/face.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bela se deixava levar pela angústia mais profunda de seu ser.&lt;br /&gt;O que poderia fazer diante daquela avalanche que sempre a tomava as carnes e os pensamentos?&lt;br /&gt;Era livre e estava tão presa em si, que por vezes perdia o controle.&lt;br /&gt;Não sabia se abria seu coração ou suas pernas.&lt;br /&gt;Abrir seus sentimentos mais profundos era doloroso, desgastante. Sabia que se o fizesse deixaria subir à superfície toda aquela baboseira sentimental, que negara todos aqueles anos. Já estava exausta.&lt;br /&gt;Observaria, então, nauseada o debochar profano da fera. A besta sentiria-se reconfortada, mais poderosa e desfrutaria dela com um prazer opressor, possessivo e até punitivo.&lt;br /&gt;Por outro lado, se abrisse as pernas, poderia esquecer por instantes suas inquietudes e aplacar o tremor de suas carnes.&lt;br /&gt;Talvez sentisse seu ser revigorado, pois os gestos podem ser mais intensos que as palavras e ela queria apenas aquilo de seu lado negro. Mas em suas certezas, estava rodeada de dúvidas.&lt;br /&gt;Percebia diariamente, que aquele sorriso que brotava do lado direito do seu rosto era repreendido pelo lado esquerdo, que teimava em ser sisudo e indiferente.&lt;br /&gt;A bela acreditava ser liberta, mas estava amarrada pra sempre à fera. A segunda tinha uma prazer mórbido em subjugar a primeira.&lt;br /&gt;Aquela era a maldição, ver-se predador e presa em uma só imagem refletida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convido você leitor, para que visite meu blog:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/"&gt;http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-116480889936751044?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/116480889936751044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=116480889936751044&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116480889936751044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116480889936751044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/11/uma-pequena-fbula-de-amor.html' title='Uma pequena fábula de amor'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-116420625118497133</id><published>2006-11-22T12:33:00.000-02:00</published><updated>2007-06-04T12:24:31.565-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Larissa Marques'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/1600/face_de_pedra.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/400/face_de_pedra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;Ocaso&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;Queria ainda um resto de sol, mas o crepúsculo deu espaço a escuridão noturna. Nem sempre é o que desejamos e as coisas nem as pessoas devem permanecer. Na ponta da praia, crianças ainda brincam na areia quente e branca, constroem seus castelos de areia e divertem-se com o desmoronar de torres.&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;Aqui, os fósforos chamam a fumaça do cigarro e meus devaneios, o mar acaricia as pedras imóveis, presas, recolhidas, valeria a pena esse amor? Sei do nosso amor, como sei desse mar que venero, um de nós a pedra, outro a onda.&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;Por que tantos se vão sem fitar o ocaso? Teimam em enxergar o por vir, ou se iludem com um ensejo de que ele tardará?&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;Ondas cinzas revolvem-se, beijam a areia continuadamente, o som me acalma e te traz para meu colo, lenta, a lua sobe minguante que teima em iluminar nossos corpos e semblantes exaustos.&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;Chegamos almejar que fosse sempre assim, olhamos o infinito na mesma direção, mas por hora já me apetece ter-te aqui, pousada em meu peito febril. Já nem sei se me ama mais, se há uma réstia de luz do que fomos um dia, mas as incertezas permeiam todo entardecer.&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;Não entendo o querer, ainda que me esforce, permanece a dúvida, por que tanta fome, tanta sede? Sei apenas que me sacia e acalenta-me por vezes.&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;Mas nem todo desejo é aplacável, para tanto me refugio nas noites que me dão a insegurança, o voto cego na utopia e na esperança de rotina, sempre ao teu lado, sempre no meu peito.&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;E enquanto o fenecer não nos derrota, despentearei teus cabelos e deixarei seus dedos tomarem minha vida e sufocar minha alma, só me sinto vivo assim. E se essa dor não passar, se minha luxúria me arrastar por caminhos mais prazerosos, sei que partirei seu coração ou apenas te livrarei do martírio que é me suportar.&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm"&gt;Convido você leitor, para que visite meu blog:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/"&gt;http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-116420625118497133?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/116420625118497133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=116420625118497133&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116420625118497133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116420625118497133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/11/ocaso-queria-ainda-um-resto-de-sol-mas.html' title=''/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-116128854708753305</id><published>2006-10-19T17:07:00.000-03:00</published><updated>2006-10-19T17:09:07.120-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/1600/mulher1.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/400/mulher1.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;   Sou tantas personas em um só corpo, que por vezes me olho no espelho e não me reconheço.&lt;br /&gt;  Já chorei de medo de mim mesma, por quantas vezes me acalentei, sufoquei meus gritos, não me permiti chorar, fugi dos que me amavam.&lt;br /&gt;  Tenho medo de todos, mas não temo ninguém mais do que temo a mim. Sou imprevisível, laica, absurda.&lt;br /&gt;  Sou um corpo que morre todo dia, para acordar bem noutro dia. Mas não me satisfaço com os amanhãs, uma voz quase inexistente grita lá do fundo, anime-se, enquanto muitas vozes fortes e ruidosas riem-se, desdenhando dela.&lt;br /&gt;  Por isso nem tente definir o que sou, se sou triste, se sou desesperada, se sou completa e verdadeiramente lúcida.&lt;br /&gt;  Nem eu sei de mim.&lt;br /&gt;  Sou a mistura de todas as minhas verdades, com todas as minhas mentiras, vícios e fraquezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;br /&gt;Convido você leitor, para que visite meu blog:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/"&gt;http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-116128854708753305?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/116128854708753305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=116128854708753305&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116128854708753305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116128854708753305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/10/sou-tantas-personas-em-um-s-corpo-que.html' title=''/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-116070061335288722</id><published>2006-10-12T21:41:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T21:50:13.366-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/1600/menina.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/400/menina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;  Não vou dizer que sou movida pelo Mal, mas digam que não é mais divertido que o Bem. Não me vejo vestida de branco (até por que branco engorda) fazendo-me de anjo e tocando uma harpa, vejo me mais vestida de negro, com asas enormes e garras felinas, como as harpias, voando livre para fazer o que bem entender.&lt;br /&gt;  O Mal não tem muita regra, enquanto se for praticar o Bem terei que seguir uma imensidão delas e odeio obrigatoriedade, autoridade, diga-se de passagem, sou liberta, nasci sozinha e vou morrer assim, então neste intervalo quero mais é saber de mim, nada dessa história de morro por ti, morrerias por mim, blá, bla, blá. Isso pra mim é baboseira romântica e já saiu de moda faz tempo, sou minha.&lt;br /&gt;  Não morro por ninguém, até por que acredito que ninguém desperdiçaria sua vida por mim, nem quero.&lt;br /&gt;  Carrego só os meus fardos, que já são pesadíssimos, nem me preocupo com a vida alheia, por achar que já tenho problemas demais! O que comer, o que vestir?&lt;br /&gt; O que posso dizer para uma, para que não morra de enfarte?&lt;br /&gt; O que posso dizer a outra para que não cometa suicídio? E sem querer me preocupo.    Não sou uma homicida ou uma mulher de todo ruim, contando que não me afetem, pois se mexerem comigo terão o troco em dose acentuada, e não é uma ameaça pura e simples, é uma advertência:&lt;br /&gt;“Ministério da saúde adverte: Larissa Marques faz bem à saúde, quando amiga. Quando inimiga é Perséfone”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;br /&gt;Convido você leitor, para que visite meu blog:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/"&gt;http://dialeticadofrenesi.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-116070061335288722?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/116070061335288722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=116070061335288722&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116070061335288722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/116070061335288722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/10/no-vou-dizer-que-sou-movida-pelo-mal.html' title=''/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-115757750456026094</id><published>2006-09-06T18:13:00.000-03:00</published><updated>2006-09-06T18:18:24.576-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/1600/duas_faces.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/400/duas_faces.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;    Farrapo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Queria que aquilo terminasse logo, estava cansada, só conseguia pensar em todas as tarefas do dia seguinte. Ficava se perguntando se era ela quem passava por tudo aquilo, ou se um farrapo humano ali, jogado, puído, entregue, enquanto não quisessem tomar conhecimento dela, de suas fragilidades ou frustrações.&lt;br /&gt;  Sentia-se apenas um pedaço de carne usado e viajava em divagações existencialistas. Às vezes se mexia, para perceber-se ainda viva e para que não jogassem uma pá de cal por cima daquele corpo vazio.  &lt;br /&gt;  Amordaçava todos os sentimentos num canto qualquer de sua mente, e os deixava ali, enclausurados. Por vezes eles berravam em agonia, choravam pedindo clemência, mas ela parecia inerte à vida.&lt;br /&gt;  Olhava o ventilador, que rodava enfadonho, no teto, será que ele não se cansava, mesma rotação, lenta, rotineira. Ela já estava entregue, não sabia mais como se esquivar dos duros golpes que sofrera.&lt;br /&gt;  Na cama, aqueles movimentos irritavam na profundamente, movimentos invasores, repetitivos, que deveriam ser de prazer, mas soavam-lhe como obrigação, então, calava-se e cedia, e cedia, e cedia.&lt;br /&gt;  E ao invés de fechar os olhos, ela fitava-o com ódio visceral, sabia que ele não tomara conhecimento dela e só se prendia aos seus desejos. Talvez se sentisse vitorioso, por ter sugado toda sua dignidade, por tê-la sufocado, domado sua personalidade forte, por completo.&lt;br /&gt;Talvez se lembrasse de todas as mulheres e revivesse todas as sensações libidinosas, que tivera até ali. Por que ele não acabava com aquilo logo? Seu corpo todo molhado, transpirava fúria e desejo, rendido ao prazer extremo e almejava mais, e mais. Por que tinha o prazer de prolongar o que poderia ser feito em poucos minutos?&lt;br /&gt;  E o ventilador girava, naquele mesmo ritmo enfadonho, mas agora parecia produzir alguma brisa.&lt;br /&gt;  Virava-a como um boneco de molas, como uma marionete, sem vontade própria, e nem se dava conta disso, se refestelava dela, revirava os olhos, quase bailava, fazendo bom uso daquela migalha de gente que se transformara.&lt;br /&gt;  E por que ela aceitava aquela imposição, deveria provocar uma revolução, tomar de volta o que era seu por direito, de uma forma ou de outra aquilo acabaria, e quando chegasse ao fim, ambos deitariam, cada um pro seu lado, e quieta esperaria o outro dia chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;br /&gt;Convido você a conhecer outro blog interessante:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.oscaleidoscopios.blogspot.com/"&gt;http://www.oscaleidoscopios.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-115757750456026094?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/115757750456026094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=115757750456026094&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115757750456026094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115757750456026094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/09/farrapo-queria-que-aquilo-terminasse.html' title=''/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-115555965544546205</id><published>2006-08-14T09:41:00.000-03:00</published><updated>2007-04-11T10:21:52.868-03:00</updated><title type='text'>Noites de outono - Homenagem ao amigo Antônio Alves</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/1600/maria_alexcosta.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/400/maria_alexcosta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Nestas noites frias de final de outono, lembro-me de minha vida, recordo-me de fatos, que até para mim que vivi, parecem inconcebíveis. Pairou em meu pensamento ao sentir esse vento frio, um acontecimento desse mesmo outono, mas ocorrido há quase cinqüenta anos, na Fazenda Nova Morada, onde passei a viver depois que me casei.&lt;br /&gt;Era uma época difícil, quando as fazendas eram grandes latifúndios que separavam por quilômetros um vizinho de outro, e as famílias pela distancia se faziam cada vez menos unidas pelos laços afetivos. Mas naquela altura de minha história, já tinha me acostumado com a vida dura que a fazenda impunha, meu marido era dentista, mas tornara-se por vezes médico por necessidade, pois a cidade mais próxima ficava há dias de viagens, feitas ainda no carro de boi. Antes de me casar fiz um curso de enfermagem, e além do consultório dentário, tínhamos uma venda onde de quase tudo podiam encontrar os moradores e forasteiros que passassem por ali.&lt;br /&gt;Grávida do meu primeiro filho foi necessário que Antônio encontrasse alguém para me auxiliar nos trabalhos domésticos, entrava em minha casa a minha maior companheira, Joana, uma mulata magra, franzina, e num primeiro momento ao deparar-me com sua figura, duvidei que conseguiria dar conta do trabalho pesado da roça. Mas quanto mais a minha barriga crescia, mais responsabilidade via naquela mulher de feição frágil e solidária, sempre fazia todo serviço da casa, e ainda tinha tempo para se sentar comigo na varanda da casa da sede para tecer comigo o enxoval do bebê. E o mais nobre é que percebia carinho naquela atitude, fazia com gosto, como se fosse uma mãe, ou uma irmã me ajudando.&lt;br /&gt;Passaram-se os dias, os meses, e finalmente sentia as dores, que a cada momento ficavam mais fortes, me lembro daquela dor, a primeira, e todas as outras que vieram em seguida, a parteira vindo apressada, mandando ferver a água, queimar a tesoura, a correria de Antônio, com aqueles olhos azuis esbugalhados de desespero, a pressa de Joana em obedecer as ordens da parteira. E eram dores intermináveis, e o vento gélido já soprava aumentando a sensação de dor e contração dos músculos, como era muito jovem, pensava que aquele seria meu último dia na terra, ai como doía!&lt;br /&gt;A parteira mandava com uma voz quase autoritária, “faz força menina”, mas já não tinha mais de onde tirá-la, desfaleci por um momento, e ao retomar meus sentidos Antônio já estava no quarto que mais parecia uma cena de guerra, panos ensangüentados por todo o quarto, e ele segurava meu filho. “Deixa ver”, - eu pedia - “é perfeito?”, perguntava, mas o olhar dele não me parecia um olhar de pai orgulhoso, parecia mais um olhar aflito, ele saiu do quarto com o bebê enroladinho e a parteira entrou, toda suada, quase tão exausta como eu, e dizia - “tem que ser forte menina” – e eu só queria saber se era perfeito, - “seu bebê não chorou, nasceu com o cordão enrolado no pescoço e não resistiu à falta de ar”.&lt;br /&gt;Senti como se tivesse levado um soco no estômago, fiquei atônita, sem ação, mas não desmaiei, respirei fundo enquanto a parteira trazia um copo de água com açúcar, era mentira, só podia ser, como pode, senti meu filho por nove meses crescer, se movimentar, tomar conta de meu ventre e do meu coração e agora vem me dizer que é morto? Queria gritar, mas não consegui, queria chorar, não consegui e Joana segurava minha mão e dizia que eu era jovem, que teria muitos outros filhos, mas nada me consolava.&lt;br /&gt;Quis levantar, mas ainda faltava-me força, quis pegar meu filho nos braços, mas só me diziam, não faz assim, é muito pior se comportar assim, mas eu queria vê-lo, olhar para seu rostinho, foi alguém com quem sonhei nesses últimos nove meses.&lt;br /&gt;Trouxeram-me o corpo, pálido, já haviam limpado, e colocado uma roupa nele enquanto Antônio me disse, - “era uma menina”. Olhei com uma aflição no peito, uma vontade de ser forte, mas não consegui, não a peguei, pedi que a levasse.&lt;br /&gt;Depois de chorar muito, resignei-me em minha dor, saí do quarto e ajudei meu marido a ajeitá-la em uma caixa de madeira que ele mesmo fez.&lt;br /&gt;A tarde lentamente caía, fria, com aquele vento que já descrevi, ele pregou a tampa, me beijou e seguiu a pé para um vilarejo, onde havia o único cemitério da região, de caminhada seriam mais de três horas, hoje entendo por que não foi a cavalo! Não derramou uma lágrima na minha frente, penso que foram três horas de calvário, fora chegar na igreja para chamar o padre, pois nem delegado, nem escrivão, nem funerária.&lt;br /&gt;Ainda hoje quando esses ventos de outubro tocam minha face, penso em minha filha, meu anjinho que não viveu, mas nos deu uma lição de amor e fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecimentos especiais ao fotógrafo Alexandre Costa, autor da fotografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* (História baseada em fatos reais, com detalhes não verídicos, mas que usei para dar dramaticidade ao texto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convido você a conhecer outro blog interessante:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.oscaleidoscopios.blogspot.com/"&gt;http://www.oscaleidoscopios.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-115555965544546205?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/115555965544546205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=115555965544546205&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115555965544546205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115555965544546205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/08/noites-de-outono-homenagem-ao-amigo.html' title='Noites de outono - Homenagem ao amigo Antônio Alves'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-115533944451264735</id><published>2006-08-11T20:19:00.000-03:00</published><updated>2006-10-17T10:43:00.266-03:00</updated><title type='text'>Alucinação - Homenagem ao amigo Aluisio Martins</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/1600/alucinacao.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/400/alucinacao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Alucinação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava com a boca amarga, os olhos pesados, sem foco, acordei sem enxergar, tentei mexer as mãos, mas não as senti. A visão voltava aos poucos e tudo parecia distorcido, uma alucinação absurda. Aluísio estava do meu lado, com um sorriso torpe, de quem conseguiu o que queria, e ria-se. As cortinas pareciam voar, dizendo, “nós vimos o que fizeram, sabemos quem são vocês".&lt;br /&gt;Sabia quem eu era, lembrava-me dele, via nossos corpos nus, mas não sabia onde exatamente estávamos, nem o que nos levara até lá. Piscava, e via Aluísio dormindo, vislumbrava asas nele, como se fosse um anjo, dormindo ali do meu lado, o quarto girava. Esfregava os olhos, na esperança de que se rendessem à realidade, mas só tinha vertigens.&lt;br /&gt;Tentei me levantar, mas a cama parecia ter braços que me puxavam para si, meus pés pareciam pedras pesadas, que não podia carregar, não me sentia bem. Aliás, não me recordo de ter vivido algo parecido, sempre confiei em meus sentidos, e eles agora me abandonaram. Ouvia risadas do quarto ao lado, não sabia onde estava, e era inútil lutar, estava presa àquela cama. Os lençóis me aprisionavam, como braços fortes, uma canção incestuosa dominava minha pele, sussurrava em meu ouvido.&lt;br /&gt;Queria gritar, talvez balbuciar alguma coisa para que Aluísio acordasse, e me dissesse algo que me fizesse despertar, mas era inútil, sentia-me amordaçada, e presa àquela alucinação.&lt;br /&gt;Por um momento desisti, não pensei em mais nada, deixei a sensação me dominar, e senti um prazer profundo, inenarrável, daqueles que fazem perder todos os sentidos.&lt;br /&gt;Percebi-me então, deitada em uma cama finamente coberta com rosas brancas e vermelhas. As vermelhas estavam em contato com meu corpo em chamas, e dilacerado pelos espinhos, que mais pareciam arame farpado, entravam pela boca, pelos ouvidos, pelos orifícios todos! As brancas pareciam sorrir e pulavam ao chão, no meio de uma canção fúnebre.&lt;br /&gt;E ao acordar novamente, me vi em um canteiro de petúnias, e estavam em flor, e o som das abelhas era ensurdecedor, voavam por toda parte, e não me incomodavam, apenas pousavam tranqüilas sobre meu sexo, gentis, e iam embora, sem me incomodar. Perdi a noção do tempo, já não me afetavam mais as horas. Adormeci, mais uma vez.&lt;br /&gt;Mais uma vez desperto, vejo-o tranqüilo, dormindo ao meu lado, beijo-o e espero que desperte, um beijo apaixonado e uma frase apenas.&lt;br /&gt;“Vim apenas te buscar, espero não ter causado nenhum sofrimento".&lt;br /&gt;  E depois de ouví-lo minha alma se aquietou e deixei-me levar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convido você leitor, para que visite meu blog de entrevistas:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.oscaleidoscopios.blogspot.com/"&gt;http://www.oscaleidoscopios.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-115533944451264735?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/115533944451264735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=115533944451264735&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115533944451264735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115533944451264735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/08/alucinao-homenagem-ao-amigo-aluisio.html' title='Alucinação - Homenagem ao amigo Aluisio Martins'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-115443233828398347</id><published>2006-08-01T08:24:00.002-03:00</published><updated>2009-07-12T01:45:28.331-03:00</updated><title type='text'>O relojoeiro - Homenagem ao amigo Anderson Alcantara</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/1600/relojoeiro.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/400/relojoeiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;                  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Vivia naquela cidade desde que nasceu, herdou do pai a relojoaria, a profissão e as vistas cansadas. A cidade era pequena, tudo girava em torno daquela pequena praça, que abrigava um velho chafariz quebrado há décadas e alguns bancos onde os idosos jogavam damas, baralhos ou dados. A loja era bem localizada, ficava entre o único mercado e o correio, não era grande coisa, mas sustentava sua pequena família, mãe e irmão pequeno.&lt;br /&gt;   Aparentava ter mais idade, os óculos lhe davam um ar sério e catedrático, não sorria muito, isso porque não gostava de seus dentes, mas era pura cisma, não havia nada de errado com eles. Enquanto trabalhava sua mente borbulhava como as cachoeiras.       &lt;br /&gt;   Conseguia viajar naquelas engrenagens minúsculas, sem contar das areias desérticas que passeavam de cima para baixo nas ampulhetas, que o faziam caminhar sobre o silêncio inquietante do tique-taque.&lt;br /&gt;   Anderson era calmo, como deveria ser, sua profissão tão delicada como suas mãos finas e precisas. Suaves os dedos pousavam sobre o mecanismo frágil e o alívio se fazia com a volta do bailado, do vai e vem da estrutura metálica que marcava prazos infinitos.&lt;br /&gt;   A única coisa que afetava sua rotina era a passagem diária, quase sempre pontual de uma moça, cabelos negros, um passo apertado, rápido.&lt;br /&gt;   Ele ouvia o toque-toque de seu sapato a metros de distância e corria para a porta do estabelecimento, só para vê-la passar. Conhecia o pai da moça, já levara um modelo raro de relógio de bolso para que restaurasse, herança de família. E quando a via passar lembrava-se daquele relógio de prata que poliu, e fez voltar a funcionar. Lindo, raro como ela. Poderia tocá-la como tocou o objeto.&lt;br /&gt;   Depois dos suspiros retomava seu trabalho, seus minutos corriam contra as horas, não era um passatempo, era o ganha pão, por vezes aquela música do tempo soava melodia para seus ouvidos, por vezes urrava pedindo quietude.&lt;br /&gt;   Daqueles movimentos nada sensuais das peças, via-se tocando aquela menina-moça, naquele ritmo, como dos ponteiros de segundos, sempre, sempre e assim os minutos se arrastavam como se fizesse sexo com ela, como se a tocasse profundo como as horas. Aquele som o afetava, as horas o afetavam eram longas demais para uma espera e naquele dia, a moça não passou. E por vários dias a esperou. E depois de mais de uma semana ele surpreendeu-se com ela dentro de sua loja, não sabia bem como se comportar, suas pernas tremiam com um olhar direto, então se esquivava.&lt;br /&gt;─ Posso ajudar? – perguntou com a voz meio embargada.&lt;br /&gt;─ Sim claro, meu noivo faz aniversário hoje. Não sei escolher bem o presente. Meu pai me deu dinheiro.&lt;br /&gt;Anderson foi tomado por um sentimento corrosivo, destes cáusticos mesmo, que faz alguém atentar contra o outro com ódio voraz, tinha ciúmes daquele noivo. Aquele maldito podia possuí-la, enquanto para ele só sobrava a ânsia. Queria só tê-la, como mulher, não carecia presentes caros, nem mimos. Mas seria audácia dizer o que pensava. Mostrou então um modelo qualquer, mas não se deu ao silêncio.&lt;br /&gt;─ Se fosse minha, já me bastaria. – disse quase sussurrando temeroso, mas lançara os dados de seu jogo secular, só teria aquela chance.&lt;br /&gt;Como se não tivesse ouvido ela aceitou a escolha e pediu:&lt;br /&gt;- Por favor, em um embrulho para presente!&lt;br /&gt;- Claro! – respondeu desconcertado pelo seu atrevimento. Fez um laço para finalizar o pacote, providenciou uma sacola e entregou a e junto com um único afago. Ela saiu apressada.&lt;br /&gt;   Tomava mais uma vez seu trabalho, ocupava-se dele na intenção de esquecer o equívoco, mas como martelos replicantes, os segundos soavam em sua mente: “porque, porque?”&lt;br /&gt;   Muitos desses segundos, horas, dias se passaram, até que uma noite bateram na porta de sua casa, que ficava ao fundo da loja, com a tez sisuda o pai da moça a trazia pelo braço, raivoso e bufando dizia num tom de cobrança:&lt;br /&gt;- Belise disse que fizera mal a ela, desde sua vinda aqui não come direito e nem quer mais noivar, pois fique com ela, que desonrou minha casa e meu nome!&lt;br /&gt;   A vida a afetava desde que as palavras do relojoeiro penetraram seus ouvidos cansados de falsas declarações, talvez por desejar outra vida para si, jogou no mundo seu pai verdades distorcidas, simulou ter se entregado ao relojoeiro e não ao homem que o pai escolhera para ela.&lt;br /&gt;   Sem entender o que acontecia, o rapaz a acolhe em seus braços, como uma dádiva, uma resposta à suas orações, toma-a para si, procura seus olhos. Ela o fita num pedido desesperado para que não a desminta, entendem-se neste olhar.&lt;br /&gt;   O pai sai sem esperar resposta. Esbravejando sozinho pela praça.&lt;br /&gt;   Naquela noite ele cederia a cama para ela, a deixaria com seus pensamentos, a conversa poderia deixar o dia seguinte chegar. Mas ele não conseguia dormir, ficou olhando aquela figura em sua cama, não tinha relógio em seu quarto, mas as horas passavam abandonadas, como as mãos dela.&lt;br /&gt; Cada segundo sem tocá-la seria um martírio, queria tê-la e  estava ali, tão perto, seu corpo latejava aquele nome; “Belise, Belise”, mas sua mente procurava entendê-la. Ela abriu os olhos, não estava dormindo, perguntou:&lt;br /&gt;- Você me deseja? E sem dar tempo para que ele respondesse, tirou a blusa, desceu a saia e o beijou com fúria. Tomaram-se e se saciaram, seguidas vezes.&lt;br /&gt;   Não era um jogo, mas queria surpreendê-la como ela fez com ele, queria ser o caçador e não a caça. Era devoto, mas queria ser adorado, como aquela menina de corpo miúdo e tão forte.  Colocou em cheque, numa só noite, a vida de três homens feitos. E daqueles três ele era o felizardo, que a possuíra com ternura, acariciara seus longos cabelos. Os seus pensamentos o acalantaram e trouxeram o sono.&lt;br /&gt;   Acordou num sobressalto, pensando que aquilo tudo não passara de um sonho, mas estava no chão, sinal que não era uma ilusão, mas na cama nem sinal dela.&lt;br /&gt;─ Mãe! - chamava aflito- onde está Belise? Viu quando ela se levantou?&lt;br /&gt;─ Quem é Belise? – pergunta a mãe, ignorando o desespero do filho.&lt;br /&gt;─ Aquela moça que o pai veio deixar aqui ontem. –explicava num tom perturbado.&lt;br /&gt;─ Não sei do que está falando meu filho, nada disso aconteceu ontem, está bem?&lt;br /&gt;Sem entender Anderson pegou o relógio de bolso que herdara do pai dizendo:&lt;br /&gt;─Não me espere para o almoço, vou procurar Belise.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-115443233828398347?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/115443233828398347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=115443233828398347&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115443233828398347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115443233828398347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/08/o-relojoeiro-homenagem-ao-amigo.html' title='O relojoeiro - Homenagem ao amigo Anderson Alcantara'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-115272729393783298</id><published>2006-07-12T14:55:00.000-03:00</published><updated>2006-07-25T22:01:25.036-03:00</updated><title type='text'>"Série Bonecas de Papel": Caroline</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/1600/laura_alexcosta.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/400/laura_alexcosta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Caroline&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muito tempo reservei-me ao silêncio, nunca gostei de falar muito sobre minhas divagações, sobre minhas preferências, sobre meus interesses. Sempre que me atrevia a fazê-lo, me consideravam uma perdida. Não que seja uma mulher à frente de meu tempo, nem tão pouco minhas visões sobre o mundo sejam diferente da maioria das outras pessoas, a verdade é uma só, olham-me torto por gostar de meninas.&lt;br /&gt;Bem, acho que me interpretei mal, não tenho nada contra meninos, nem tão pouco contra sua libido exagerada, e a falta controle, quando os assuntos são sexuais. Não vou generalizar, pois já conheci muitos homens que faziam sexo tão bem quanto uma mulher, mas a maioria acha que dizer “gostosa”, a uma desconhecida que passa na rua, é um elogio, não uma grosseria, e que algumas respondem, mesmo que caladas: “vai tomar no cu, filho da puta, nunca viu bunda não?”&lt;br /&gt;Minha mãe, carola, daquelas que não soltava da barra da saia do padre, mal percebia que ele também era diferente, como eu. Um dia ela me flagrou dando um selinho de despedida em uma colega de classe, ameaçou-me com duas bofetadas e com a pergunta mais hipócrita que já ouvi:&lt;br /&gt;“_ Você não tem vergonha na cara?”&lt;br /&gt;Como se fosse vergonhoso gostar de minha colega e ser beijada por ela.&lt;br /&gt;Aprendi desde muito cedo a ter respeito pelos outros, coisas do tipo, não importa a raça, a religião, importa sim a índole da pessoa, mas na realidade, aprendi a hipocrisia, pois esse sentimento é comum no ser humano.&lt;br /&gt;Será que a opção sexual de alguém fere o direito de outras pessoas?&lt;br /&gt;Outro dia vi no Jornal Nacional que um policial prendeu duas meninas dentro do campus da USP, no refeitório, por estarem se beijando na boca, uma sentada no colo da outra. Pergunto-me se fosse um casal “convencional” teriam sido detidos? Creio piamente, que não.&lt;br /&gt;Quem deveria ser detido era o milico, que além de ser preconceituoso, abusou do seu poder para demonstrar seu preconceito.&lt;br /&gt;Não acredito, nunca vi e nem vivi coisa mais linda que duas mulheres se amando, há uma aura, uma delicadeza, uma transcendência única, de espíritos que se entendem profundamente.&lt;br /&gt;Quem dera, hoje minha querida Caroline, Carol, como te chamava ao pé do ouvido, tivesse quebrado meu silêncio provinciano antes, queria não ter sido covarde, não ter fugido do amor que tinha por ti, nem cedido aos caprichos de minha mãe.&lt;br /&gt;Hoje, trago-te rosas vermelhas, não mais brancas, como sempre fiz, pois tenho uma confissão a fazer-te, encontrei alguém que me ama, assim como me amou um dia. Mas sou outra pessoa, diferente daquela criança que era, quando nos conhecemos, quando fazíamos amor no banheiro das meninas.&lt;br /&gt;Só agora compreendo a força que brota de um coração dilacerado, só agora entendo seu ato de desespero e a sua coragem. Todos os anos, nesta mesma data, eu venho, e a cada ano que se passava, menos me entendia, e mais compreendia a força que de empurrou pra esse abismo. Ao ler “Aqui jaz uma moça que amou, que chorou, que lutou e desistiu”, revolto-me, pois sabemos que isso não é verdade.&lt;br /&gt;Pichei no mármore frio, com tinta vermelha “Aqui jaz uma moça que soube amar e ensinou-me o amor!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecimentos especiais ao fotógrafo Alexandre Costa, autor da fotografia.RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convido você a conhecer outro blog interessante:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.oscaleidoscopios.blogspot.com/"&gt;http://www.oscaleidoscopios.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-115272729393783298?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/115272729393783298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=115272729393783298&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115272729393783298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115272729393783298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/07/srie-bonecas-de-papel-caroline.html' title='&quot;Série Bonecas de Papel&quot;: Caroline'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-3097450931894488891</id><published>2006-07-11T10:33:00.000-03:00</published><updated>2009-07-11T10:33:43.404-03:00</updated><title type='text'>A traição</title><content type='html'>Com a faca na mão ela soltava seus desaforos, dizia aos berros:&lt;br /&gt;─ Ainda te mato, infeliz! Desde que veio morar aqui me trai, desgraçado! Um dia hei de cortar seu pescoço e vou ficar olhando se debater, infeliz, ah se vou!&lt;br /&gt;Enfurecida, começou a amolar a faca.&lt;br /&gt;─ Como é que consegue fugir para casa da vizinha sem que eu perceba? Ai, que ódio, é hoje que me paga, Teteu ! Irá pagar por todos os insultos que tenho que ouvir, as risadinhas de canto de boca que suporto! Sem falar das reclamações do marido da vizinha. Bem que eu podia deixá-lo morrer nas mãos do Álvaro, bem que ele merecia o prazer de te matar!&lt;br /&gt;Resmungava enquanto separava os ingredientes para o jantar, descascou uma cebola, duas, e pôs se a picá-las, começou a chorar compulsivamente, não sabia se por Teteu ou pelas cebolas que faziam arder os olhos.&lt;br /&gt;─ Trato-te tão bem, mal agradecido! Dou-te tudo de melhor, tenho cuidados e até carinho. E ainda assim vai para a casa da vizinha, não vou me conformar, te conheço desde pequeno, não deveria se comportar assim!&lt;br /&gt;Saiu para o quintal, com a dita faca, que brilhava de tão afiada, o galo já estava debaixo do balaio, mas Helena não sabia mais se queria matá-lo, era desobediente, trazia tantos aborrecimentos, mas ainda assim tinha carinho pelo bicho. Com piedade cortou o pescoço do coitadinho e o serviu ao molho pardo no jantar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-3097450931894488891?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/3097450931894488891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=3097450931894488891&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/3097450931894488891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/3097450931894488891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/07/traicao.html' title='A traição'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30015995.post-115227362672003986</id><published>2006-07-07T08:53:00.000-03:00</published><updated>2006-07-07T09:17:39.613-03:00</updated><title type='text'>"Série Bonecas de Papel": Vera</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/1600/carolini_alexcosta.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/2235/400/carolini_alexcosta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;    Vera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Não me pergunte porque, mas acordo todos os dias com a sensação de que há uma arma apontada para minha cabeça, na testa, bem no meio dos olhos. É uma alucinação que me persegue desde menina, e por causa dela vejo sempre o outro, seja quem for, como um possível inimigo.&lt;br /&gt;  Aprendi, desde muito pequena, a não confiar nas pessoas. O que tenho consegui com muito esforço, nada pra mim caiu do céu, acredito que de lá, só os castigos pela vida que levo.&lt;br /&gt;  Criei uma barreira que me protege do mundo, sei como magoar, ofender, humilhar, mas sou imune ao externo, o mundo não me afeta mais. Cansei de tentar entender os “porquês”, e me preocupo agora é com os “quandos”, “quantos”...&lt;br /&gt;  Talvez esteja pensando que sou uma “menina má”, e sou! Embora mamãe tenha me ensinado que meninas boas vão para o céu, e que conseguirão a paz eterna! Mas deixava meu padrasto visitar meu quarto, talvez eu gostasse das visitas noturnas.&lt;br /&gt;  Quando resolvi quebrar meu silêncio, levei uma bofetada e tive minhas roupas todas jogadas no meio da rua, como se fosse um cachorro, não parte de sua própria carne, sangue do seu sangue! Mas tudo bem, a partir daí, manipular as pessoas tornou-se uma regra.&lt;br /&gt;   Aprendi uma lição importante, que ser sincera não é o melhor caminho, escolher a hora de ser sincera, sim. Depois disso, a senhora da mercearia, quase de frente à minha casa me acolheu, cedeu um quartinho do fundo pra dormir, dizendo ser velha, viúva, cansada e que precisava de ajuda e companhia.&lt;br /&gt;  Vivi com ela por vários anos, ela sim, me tratava com respeito e dignidade, trabalhava como uma escrava, mas tinha um salário. Sei que Dona Milu me amava, mimava-me, comprando vestidos novos, perfumes, como uma filha que não teve, mesmo com tanto carinho não confiava nela, já não confiava mais em ninguém.&lt;br /&gt;  E numa bela manhã de domingo, encontro a pobre morta, em sua cama, teve morte digna, foi a única pessoa boa que conheci, os herdeiros apareceram, fui despejada. Mais uma vez, sozinha, mas agora com minhas economias e minha experiência, poderia recomeçar.&lt;br /&gt;  Nesse meu recomeço fiz uma promessa, que venderia ao mundo cada sorriso meu, pelo preço mais caro que pudessem pagar, até chegar onde queria. E cumpro minha promessa. Não sei o que é o amor, sei o que é a dor, e o vil metal. Ardo em prazeres falsos, para valer mais, tiro até o último vintém de quem passa pelo meu caminho. E se tenho oportunidade derrubo, destruo, aniquilo, por simples prazer, acho que a forma que encontrei de compensar minhas mazelas.&lt;br /&gt;  Sei que há muito mais que isso que vivo, mas sou jovem, terei tempo de desfrutar tudo que não tive oportunidade, mas enquanto não posso alcançar o que sonho pra mim, devoto meus dias ao “deus do dinheiro”, entrego-me aos desejos dos outros e renego minha própria existência.&lt;br /&gt;  Talvez depois de ler meu relato, tenha pena de mim, não se engane, manipulei você também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecimentos especiais ao fotógrafo Alexandre Costa, autor da fotografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convido você a conhecer outro blog interessante:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.oscaleidoscopios.blogspot.com/"&gt;http://www.oscaleidoscopios.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30015995-115227362672003986?l=calamidadevisceral.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/feeds/115227362672003986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=30015995&amp;postID=115227362672003986&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115227362672003986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30015995/posts/default/115227362672003986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://calamidadevisceral.blogspot.com/2006/07/srie-bonecas-de-papel-vera.html' title='&quot;Série Bonecas de Papel&quot;: Vera'/><author><name>Larissa Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04110838933863416412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11285467246830172748'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry></feed>